Pontas de Pulverização

Sua importância para a Tecnologia de Aplicação

Para garantir uma boa aplicação existem diversos fatores que devem ser levados em consideração, como: o produto/molécula utilizado, timing correto, preparo da calda, cultura implantada, condições meteorológicas, altura da barra, velocidade de trabalho, entre muitos outros. No blog de hoje vamos abordar o último, mas não menos importante, mecanismo entre a máquina e as plantas: as pontas de pulverização.

Conhecido popularmente como “bico”, as pontas de pulverização consistem no principal componete da aplicação hidráulica, uma vez que são os responsáveis por definir tamanho de gota, vazão da calda, distribuição e, consequentemente, a qualidade da deposição da calda e a assertividade do alvo (Miller & Elis, 2000). Portanto, entender as características técnicas de cada tipo de ponta é de extrema importância para a técnologia de aplicação, garantindo assim aplicações eficientes e seguras, além da diminuição de custo e riscos para o produtor (Cunha et al., 2010).

Pontas de Pulverização

O que as cores representam:

O primeiro fator que diferenciam as pontas de pulverização é a cor do material, mas calma que essa característica não é só estética! De acordo com a Norma ISO 10.626, as cores das pontas são padronizadas e nos indicam qual a vazão da mesma, fator esse que irá nos auxiliar a regular a pressão da bomba hidráulica e a velocidade de trabalho da máquina.

As cores das pontas podem ser: Laranja (0,39 L/min), Verde (0,59 L/min), Amarela (0,79 L/min), Lilás (0,99 L/min), Azul (1,18 L/min), Vermelha (1,58 L/min), Marrom (1,97 L/min), Cinza (2,39 L/min) e Branco (3,16 L/min). A vazão está padronizada para uma pressão de 3 bar.

Vale ressaltar que, a pressão é a responsável por quebrar a tensão superficial da calda e produzir as gotas, então quanto maior ela for, maior será a vazão e menor será o tamanho das gotas (Machado, 2024).

Cores das pontas de pulverização

Fórmula da Vazão

Para garantir que seja escolhida a ponta certa, de acordo com a sua vazão, temos a seguinte fórmula (Antuniassi, 2020):

 Vazão = ( Vol . Vel . Esp) / 600

Em que:

Vazão = Vazão da ponta (L/min);

Vol = Volume de calda (L/ha);

Vel = Velocidade de trabalho (km/h);

Esp = Espaçamento entre bicos (m).

Tipos de pontas e situações de uso:

Outro fator que diferenciam as pontas de pulverização é o seu tipo quanto ao formato do jato. Esse é um dos principais fatores pensando em cobertura do alvo e qualidade de aplicação. Entre os principais tipos de jatos, temos: plano/”leque”, de impacto, cônico vazio, cônico cheio e “pontas especiais” (Machado, 2024).

 A ponta do tipo plano, ou “leque” como é comumente conhecido, produzem o jato em um só plano e são indicados para a aplicação de defensivos em área amplas e alvos planos, ou de arquitetura mais simples (Azevedo e Freire, 2006). Trabalham em pressões entre 2 e 4 bar, gerando gotas finas.

Pontas de impacto produz jatos em forma de leque em um ângulo entre 110º e 140º e opera com pressão entre 0,7 e 1,8 bar, criando gotas mais grossas, sendo indicado para situações em que se necessita precisão e baixa deriva (Azevedo e Freire, 2006).

Pontas do tipo cone vazio distribuem o produto de forma uniforme e radial, evitando a formação de gotículas no núcleo. Em geral, apresentam melhor penetração e cobertura dos alvos, uma vez que gera gotas de menor tamanho entretanto com alto risco de deriva (Cunha et al., 2008). Atuam em pressões entre 2 e 10 bar.

Pontas do tipo cone cheio são ideais para pulverização em áreas de alta densidade foliar, uma vez que possuem características parecidas com pontas cone vazio, adicionando a cobertura no núcleo. Atuam em pressões entre 1 e 3 bar, gerando gotas maiores e menor deriva.

Na categoria “pontas especiais” temos: leques duplos, em que há um jato para frente e outro para trás, indicado para alvos com arquitetura complexa e necessidade de melhor penetração; pontas com indução de ar, ou “Venturi”, na qual o ar penetra as gotas e aumenta seu tamanho, indicado para situações em que se necessita maior precisão ou em que as condições do vento estão desfavoráveis, evitando que ocorra a deriva (Antuniassi, 2020).

Conselhos:

A escolha do tipo certo de ponta de pulverização é de extrema importância para a lavoura. Pontas inadequadas possibilitam desperdício de produto, risco de fitotoxidez, baixa precisão no controle de pragas, doenças e plantas daninhas, perda de produtividade, gastos operacionais com reaplicações, entre outros problemas para o produtor.

A utilização das pontas de maneira errônea pode gerar desgaste das mesmas e, consequentemente, diminuição da precisão e qualidade das aplicações. Por esses motivos é interessante respeitar a pressão de trabalho recomendada pelo fabricante, realizar limpezas frequentes e de maneira adequada. Nada de limpar com o canivete! A melhor forma de limpeza é deixando as pontas de molho com água com detergente neutro e esfregando-os com escova de dentes, evitando assim danos ao orifício e filtro da ponta de pulverização (Tadei, 2025).

Referências de Domínio Público

Para aprofundar o conhecimento sobre o uso de bacteriófagos na agricultura, recomenda-se a leitura dos seguintes artigos de domínio público:

1. ANTUNIASSI, U. R. Seleção de pontas de pulverização. Corteva agriscience, 2020.

2. AZEVEDO, F.R.; FREIRE, F.C.O. Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas. Embrapa Agroindústria Tropical, 2006.

3 CUNHA, J. P. A. R.; TEIXEIRA, M. M.; FERNANDES, H. C. Avaliação do espectro de gotas de pontas de pulverização hidráulica utilizando a técnica da difração do raio laser. Eng. Agríc., v. 27, p. 10-15, 2007.

4. CUNHA, J.P.A.R. Efeito de pontas de pulverização no controle químico da ferrugem da soja. Eng. Agrí., v. 28, p. 283-291, 2008.

5. CUNHA, J.P.A.R.; BUENO, M.R.; FERREIRA, M.C. Espectro de gotas de pontas de pulverização com adjuvantes de uso agrícola. Planta Daninha, p. 1153-1158, 2010.

6. MACHADO, A.W. Bicos de pulverização terrestre. AgroLink, 2024. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/agrolinkfito/tecnologia-de-aplicacao/aplicacao-terrestre/leia-tudo-sobre-as-pontas—bicos-de-pulverizacao-agricola_479579.html.

7. MILLER, P. C. H.; ELLIS M. C. B. Efects of formulation on spray nozzle performance for applications from ground-based boom sprayers. Crop Protec., v. 19, p. 609-615, 2000.

8. TADEI, C.A. Manutenção nos pulverizadores e bicos. Youtube, 17 de junho de 2025. 17min36s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=M9AcW5c wCEk. 

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João Joaquim Rezenda
Estudante de Agronomia – UFU | Membro da Conteagro