Resistência de plantas daninhas

Como lidar com esse problema crescente?

INTRODUÇÃO

Por que as daninhas são um problema?

As plantas daninhas, de acordo com dados da Embrapa, causam cerca de 15% de perdas mundiais na produção de grãos. Nos últimos anos, com a alta demanda alimento, ou seja, diante da necessidade de grande produtividade, perdas como essa agravam o cenário da produção agrícola.

Um dos fatores que ao longo das últimas têm aumentado esse percentual e favorecido o surgimento de resistência aos herbicidas.

Na agronomia, resistência é a capacidade de um organismo sobreviver à aplicação de algum produto nocivo à sua sobrevivência. E cada vez mais há diferentes espécies de daninhas entrando para a lista de plantas resistentes.

Atualmente, o maior gargalho da produção agrícola, na parte de controle de daninhas, tanto para pequenos quanto para grandes produtores, é a resistência das mesmas aos produtos que estão circulando no mercado, o que preocupa pesquisadores e cientistas da área.

Portanto, quando herbicidas são aplicados e as plantas daninhas permanecem crescendo, isso pode indicar resistência.

Como acontece a resistência?

Nas lavouras, aplicamos a cada ciclo de culturas, utilizam-se herbicidas para controlar plantas invasoras que roubam as energias das culturas. Com isso, cada vez que se aplica o mesmo produto agrícola, ocorre maior expressão de genes resistentes. Ao final, essas plantas com genes resistentes, cruzam-se com outras plantas, e vão perpetuando a espécie, porém agora com genes de resistência.

Dessa forma, ao longo dos anos, a variabilidade genética e a seleção dos indivíduos mais adaptados favorecem o surgimento da resistência aos herbicidas.

Existem casos de tolerância natural, sem seleção entre as daninhas. Porém, a tolerância é algo fácil de se ultrapassar, pois o indivíduo consegue sobreviver com injúrias, logo, em uma segunda aplicação pode acabar não sobrevivendo, o que difere do processo de resistência.

Principais causas da resistência

Um dos principais fatores apontados por especialistas é o uso contínuo de um único mecanismo de ação para o controle das pragas. O mecanismo de ação é o primeiro passo bioquímico no interior da célula, que inibe o funcionamento normal do sistema. Logo, quando se há a utilização de um mesmo mecanismo, há o aumento de mutações, rearranjos de proteínas e assim se há a resistência.

Com isso, a falta de rotação de culturas, há a aplicação de mesmos mecanismos, assim favorecendo a utilização dos mesmos herbicidas com mesmos mecanismos.

Ainda lincado a esse tipo de situação, a utilização de super doses, doses fora da faixa adequada da bula, junto com manejo incorreto da lavoura com grande dependência ao controle químico, favorece o aparecimento de indivíduos resistentes e a sua permanência na plantação. 

Principais e atuais plantas daninhas resistentes no Brasil

Atualmente, as plantas daninhas resistentes e os mecanismos que não as controlam são:

  1. Buva (Conyza spp.): atualmente é resistente a mecanismos como: EPSPS, gliphosate, inibidores de ALS, inibidores de fotossistema I, inibidores de fotossistema II, inibidores a PROTOX e mimetizadores da auxina.
  2. Capim amargoso (Digitaria insularis): atualmente é resistente a mecanismos como: EPSPS e inibidores da ACCase.
  3. Caruru (Amaranthus spp.): atualmente é resistente a mecanismos como: inibidores da enzima ALS, inibidores de EPSPS, inibidores da PROTOX e inibidores do fotossistema II.
  4. Azevém (Lolium multiflorum Lam.): atualmente é resistente a mecanismos como: inibidores de EPSPS, ACCase e ALS.

Impactos da resistência

Existem diversos âmbitos em que a resistência aos mecanismos dos herbicidas afeta os produtores. Alguns deles são:

  1. O aumento do custo de produção: cada produto adquirido reduz a margem de lucro do produtor;
  2. Necessidade de mais aplicações: como não consegue se controlar as daninhas com poucas aplicações, muitas vezes acredita-se que a aplicação a mais do mesmo produto, ou até mesmo de outros pode resolver o problema, nisto, aumenta-se o gasto e o custo da produção;
  3. Perdas de produtividade: existem inúmeros exemplos em que as daninhas afetam as culturas. Seja pela competição por espaço, água e nutrientes, entre outros problemas, no caso do azevém, a sua presença em lavouras pode resultar em perdas de até 56% na produtividade;
  4. Redução da eficiência dos herbicidas: quanto mais espécies resistentes, menos aquele herbicida funciona para o mercado, resultando em prejuízo a empresa e o próprio produtor;

Estratégias para prevenir e manejar a resistência

Para lidar com esse cenário atual e com problemas futuros sobre o assunto, o melhor é buscar estratégias. Alguns bons caminhos para tais, são:

  1. Rotação de mecanismos de ação: alternando entre herbicidas, além de sempre buscar o conhecimento sobre qual grupo químico é o herbicida que está sendo utilizado;
  2. Manejo integrado de plantas daninhas: integrando controle químico (aplicação de herbicidas), controle mecânico (capina manual, etc.), controle cultural ( densidade de plantas, etc.) e cobertura de solo (nunca deixando o solo exposto, sempre com alguma cultura de cobertura entre safras);
  3. Rotação de culturas: pois quebra os ciclos das plantas invasoras;
  4. Monitoramento constante: verificando se há ou não plantas invasoras, e nisso quais são, além do registro das aplicações para ter controle do que se é realizado na propriedade.

Considerações Finais

A resistência é um problema atual com raízes antigas, e infelizmente, com avanço tecnológico é um problema crescente. Porém, com a tecnologia e técnicas novas que temos, o manejo preventivo é uma solução correta e mais barata que a correção. Logo, o manejo integrado de plantas daninhas é o mais indicado, além de ter sempre o acompanhamento de bons profissionais.

Referências de Artigos de Domínio Público

  1. Uagro. Plantas daninhas provocam perdas de 15% na produção mundial de grãos. Disponível em: https://uagro.com.br/ciencia-e-tecnologia/plantas-daninhas-provocam-perdas-de-15-na-producao-mundial-de-graos. Acesso em: 14 maio 2026.

  2. SOSBAI. Mapeamento da resistência a herbicidas inibidores da ALS em buva em lavouras de terras baixas e demais áreas do Brasil indica grande diversidade de mecanismos e de resistência cruzada. Disponível em: https://www.sosbai.com.br/uploads/trabalhos/mapeamento-da-resistencia-a-herbicidas-inibidores-da-als-em-buva-em-lavouras-de-terras-baixas-e-demais-areas-do-brasil-indica-grande-diversidade-de-mecanismos-e-de-resistencia-cruzada_762.PDF. Acesso em: 14 maio 2026.

  3. Elevagro. Buva: resistência a herbicidas e manejo. Disponível em: https://elevagro.com/buva-resistencia-a-herbicidas-e-manejo/. Acesso em: 14 maio 2026.

  4. Embrapa. Monitoramento da resistência de capim-amargoso a herbicidas no estado de Mato Grosso. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1152070/1/2022-cpamt-fsi-cbcpd-monitoramento-resistencia-capim-amargoso-herbicidas-estado-mt-464.pdf. Acesso em: 14 maio 2026.

  5. Bayer Agro. Como controlar caruru. Disponível em: https://www.agro.bayer.com.br/conteudos/como-controlar-caruru. Acesso em: 14 maio 2026.

  6. SciELO. Artigo científico disponível na plataforma SciELO. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pd/a/P9f9LFY5sCZ7sbgGW6qtgNS/?format=html&lang=pt. Acesso em: 14 maio 2026.

  7. Embrapa Notícias. Pesquisa registra avanço da resistência de azevém aos herbicidas. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/82453315/pesquisa-registra-avanco-da-resistencia-de-azevem-aos-herbicidas. Acesso em: 14 maio 2026.

Autor(a):

Gabriella de Paula Rocha Santos – Acessora de Marketing Conteagro.

Contato: gabriella.d.paula.sr@gmail.com